Lembro-me vagamente quando era criança de, por diversas vezes e de forma repentina e espontânea começar a refletir sobre o mundo que me cercava e a minha própria vida. Ainda era muito pueril minha análise daquilo tudo que era muito fascinante ao mesmo tempo misterioso. Não sabia que mais tarde iria vislumbrar meu mundo por um outro viés, de um modo diverso da realidade que eu concebia.
Percebi neste período todo, enquanto os anos se passavam, que falar sobre a vida e seus mistérios é uma das discussões que mais atrai as pessoas. Foi nisso que mergulhei meus estudos e, inclusive profissão. Procurei compreender mais sobre quem somos nós, o que é isso tudo que chamamos de mundo, o que é a vida, de onde viemos, para onde vamos; tudo que parecesse pertinente com esse assunto me atraia. Enfim, comecei a investigar mais e comecei procurando através de mim, a questão que me interrogava era “quem sou eu”? Pois, se eu não me conhecesse o que saberia de tudo o mais, dos demais? Para encontrar de fato respostas mergulhei para dentro, para o interior, até compreender que já temos tudo dentro de nós, é só descobrirmos, é só revelarmos.
Recentemente a física quântica, aliada a espiritualidade, vem nos fornecendo respostas as nossas questões existenciais e nos apontando um pouco mais sobre nossa condição. A espiritualidade traz ensinamentos antigos, advindo do Oriente, espaço marcado pelo desenvolvimento e busca da religiosidade e das questões ligadas ao espírito desde há muito tempo.
O ocidente, por sua vez, foi responsável pelo desenvolvimento da ciência e pelo culto da matéria em seus vários sentidos. Atualmente ambas, religião e ciência, espiritualidade e física quântica, ou o Oriente e o Ocidente estão se unindo, estão se encontrando para demonstrar a existência do espírito e a inexistência da matéria. Tais conhecimentos já eram sabidos pelos antigos orientais, mas até então não tinham respaldo nem validação em nosso mundo Ocidental.
Agora a física quântica já comprova que tudo, nosso corpo, nossa casa, nossas roupas, o meio que nos cerca, seja ele animal, vegetal, inorgânico, nosso planeta, inclusive nossos pensamentos, desejos, sonhos, enfim tudo, o universo todo, absolutamente tudo é feito de energia e não há nada de material nele. Concluindo, tudo que concebemos como material é impermanente, é transitório, se desvanecerá, desaparecerá em algum momento.
A matéria cria realidade apenas como aparência aos nossos sentidos; aquilo que parece sólido, permanente, palpável, colorido é apenas ilusão, e no nosso caso a ilusão do mundo – maya, é produzida e mantida em nossa mente. É a mente, que através de milhares de anos nos conduziu a percepção desta realidade ilusória, nos fazendo acreditar que as coisas são assim como ela percebe. A tecnologia que o Oriente esteve desenvolvendo até então era no sentido de sair da mente, de o homem não ser escravo dela, pois sem saber a maioria de nós é comandado pela mente, se identifica com os pensamentos, ilusões, sonhos, desejos, julgamentos e muito mais, ou seja, vivemos de forma inconsciente sem saber quem realmente somos.
Estes mesmos conhecimentos acima citados também nos informam que não existe passado nem futuro; não existe o tempo. O único momento que de fato existe é o agora. No universo só o agora tem existência, e é novamente a nossa mente que cria o que chamamos de tempo, um passado que não há e um futuro ilusório, que não tem existência. Portanto toda a mudança, toda a vida só existe neste intervalo, neste momento eterno que é o presente, o agora.
Deepak Chopra, em um dos seus livros escreve a seguinte frase: “Nós não somos seres humanos tendo experiências espirituais, somo seres espirituais tendo experiências humanas” e nesta mesma proposta o rabino Nilton Bonder afirma “nós não somos um corpo que tem uma alma, ao contrário, somos uma alma que tem um corpo.” Posso acrescentar, resumidamente, que somos seres espiritomateriais, ou materispirituais. As coisas que chamamos materiais, o nosso corpo por exemplo, é apenas a condensação de energia, da energia cósmica.
Apesar de nossa sociedade ainda dar demasiado valor a matéria, aos bens materiais, a objetos, a aparência, ao corpo em detrimento da vida, estamos começando lentamente a mudar este modo de relação e visão. Sem desvalorizar o mundo da matéria e seus aspectos começamos a perceber outros valores correspondentes ao espírito, da alma: o amor, a solidariedade, a compaixão, a paz, a verdade, a saúde, prosperidade...
Estamos principiando compreender que também somos um só com o Todo, com o Cosmos, com Deus, com o Universo, enfim, não há nada separado no universo, somos todos interligados, não há distinções, não existe limite, tudo é uma coisa só; portanto a afirmação de que “somos todos um”. Quando pensamos algo, este algo que é energia, vibra pelo cosmos procurando materializar-se, quando matamos um inseto interferimos em toda uma cadeia biológica, numa rede interconectada, num ciclo, no universo todo. Sem água não existiríamos, sem as árvores não teríamos ar para respirar, não teríamos alimentos; sem a energia do sol também a vida como a concebemos seria impossível sobre este planeta. Percebes a relação de uma coisa com outra, de como, por exemplo, dependemos e estamos ligados a tudo que nos cerca?
Assim é com tudo mais, nas mínimas coisas. Em nossa existência dependemos de tudo o que nos cerca, é possível que nem sequer imaginamos nossa dependência; começamos dependendo dos cuidados maternos antes mesmo de nascermos, somos extremamente frágeis, a partir disso dependemos do ar, da água, da energia dos alimentos, precisamos nos defender das ameaças de germes, vírus e bactérias nocivas. Somente lá pelos 10 anos de idade, se o indivíduo sobreviver, irá conseguir se manter independente em relação aos seus próprios cuidados, no entanto isso não é comum em nossa sociedade e de qualquer forma o indivíduo se mantém constantemente interdependente para o resto de sua existência. Dependemos das relações com os outros, dependemos tanto, que sem eles, os outros, nem sairíamos de nossas casas. Interdependemos, seria o termo que mais se ajusta a essa idéia.
Já notamos movimentos nos apontando para mudanças em vários aspectos em nossa condição humana. Percebemos, por exemplo, que a competição não é a melhor estratégia para o crescimento e evolução; podemos perceber, depois de vários fatos e repetições, que a raiva e o ódio destrutivo, levado a conseqüências mais extremadas como as guerras não nos conduzem a evolução alguma, pelo contrário, nos tornam mais cruéis e irrascíveis. Podemos perceber então que valores devem ser mudados, alterados: da competição para a cooperação, do ódio e raiva para o amor; do medo, da ansiedade, das doenças, da pobreza, para valores como a paz, a união, o bem estar no corpo e no mundo.
Toda a mudança começa por nós, começa dentro de cada um. Chega de esperar pelas mudanças fora de nós, de esperar que o exterior, os outros, os políticos, os governantes, nossos pais, nossos amigos e companheiros, que as situações mudem; é a partir de nós, a partir do momento que dentro de mim, dentro do seu eu, mudar, só aí então começará as mudanças, não importa de que dimensão. E é por isso que devemos estar preenchidos com aquilo que queremos ser ou dar aos outros; só posso dar amor se eu tiver amor dentro de mim; só posso transmitir paz se eu estiver em paz; só posso ter prosperidade se deixar de me reconhecer como pobre, etc. Só posso dar aquilo que tenho, só posso receber se estiver aberto, disponível para tanto.
Daremos um salto (quântico) no momento em que colocarmos a consciência no comando de nossas vidas; no momento em que fizermos o salto da cabeça (racional, mental) para o coração (sentimento). Somente com a consciência começaremos a despertar, a acordar do nosso sonambulismo e inconsciência para uma outra realidade, talvez para um novo mundo, uma nova vida.
Talvez, muitos de nós não estejamos percebendo, mas estamos num processo de mudanças, de transformações radicais que diz respeito a nós, a nossa condição de seres humanos aqui nesse planeta. Não é casual que a ciência, através da Física Quântica esteja nos revelando descobertas já antigas da espiritualidade e juntamente com ela, nos deixa com várias interrogações: para onde iremos, o que faremos, quem nós somos..? Como diz o poeta sufi, Rumi “saímos do nada girando, espalhando estrelas como poeira”.
Jonas Felipe Machado
Psicólogo e artista plástico
portaparatudo@gmail.com
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